As ações da Alpargatas, empresa responsável pela marca Havaianas, amanheceram em forte queda pelo segundo dia consecutivo na bolsa de valores. O movimento ocorre após um longo período de valorização dos papéis, que acumulavam alta de aproximadamente 84% nos últimos 12 meses, refletindo um momento positivo para a companhia centenária.
A desvalorização recente começou na segunda-feira (22/12), quando críticas de grupos ligados à direita passaram a circular nas redes sociais em reação à nova campanha publicitária da Havaianas. Desde então, os papéis registraram recuo em torno de 3%, resultando em uma perda estimada de cerca de R$ 200 milhões em valor de mercado.
O foco das críticas foi a escolha da atriz Fernanda Torres como protagonista do novo vídeo institucional da marca. No comercial, a atriz faz uma reflexão bem-humorada sobre expectativas para o ano seguinte e brinca com a expressão popular “começar com o pé direito”. No discurso, Fernanda afirma que não deseja que as pessoas iniciem o novo ano apenas com “o pé direito”, mas com “os dois pés”, destacando a ideia de atitude, movimento e escolhas próprias, independentemente da sorte.
A fala foi interpretada por políticos e influenciadores conservadores como uma provocação simbólica, o que motivou um chamado informal ao boicote da marca nas redes sociais. A repercussão ganhou força rapidamente, impactando a percepção do mercado e pressionando as ações da empresa.
Diante da reação negativa, a Havaianas retirou o vídeo da página principal de seu perfil oficial no Instagram, mantendo-o apenas em uma aba secundária de reels. Até o momento, a empresa não se pronunciou oficialmente sobre a decisão nem sobre os efeitos do boicote.
Thiago Nigro explica queda das ações da Havaianas
Diante da polêmica envolvendo a nova campanha da Havaianas, o empresário, investidor e educador financeiro Thiago Nigro, conhecido como Primo Rico, usou as redes sociais para analisar os efeitos da repercussão no mercado financeiro. Em vídeo publicado na noite de segunda-feira (22/12), Nigro destacou que a reação começou ainda no fim de semana, período em que a Bolsa de Valores não opera, mas ganhou força com a abertura do pregão.
“Isso tudo aconteceu durante o fim de semana, quando o mercado não está aberto. Hoje é segunda e o mercado já abriu e as ações da Alpargatas, que é a empresa dona da Havaianas há mais de 60 anos, simplesmente abriu o mercado derretendo”, afirmou.
Segundo ele, o movimento chamou atenção especialmente porque a empresa vinha de um período de forte valorização. “Desde o começo do ano, as ações da Alpargatas subiram mais de 80%. Só que hoje as ações abriram caindo quase 3% no início do pregão”, disse. No momento da gravação do vídeo, Nigro apontou uma perda expressiva de valor de mercado: “No momento que estou gravando, a Alpargatas perdeu quase R$ 250 milhões em valor de mercado”.
O educador financeiro também aproveitou a discussão para ampliar a análise e questionar o desempenho operacional da companhia nos últimos anos. “Mas parece que não são somente as ações da empresa que estão em queda livre. O resultado da empresa também não está indo bem”, afirmou. Em seguida, comparou os números recentes com dados de anos anteriores: “Se você analisar a Alpargatas, você vai ver que, nos primeiros três trimestres desse ano, a Havaianas vendeu aqui no Brasil R$ 144 milhões. Só que, em 2017, quase 10 anos atrás, a Havaianas vendia exatamente a mesma coisa”.
Nigro reforçou a comparação ao citar os valores absolutos e corrigidos pela inflação. “Nos primeiros três trimestres de 2017, eles tiveram R$ 147 milhões. Ou seja, mais pessoas nasceram, mais pessoas tiveram poder de compra para comprar novos produtos e a Havaianas vendeu menos. Foi R$ 144 milhões em 2025 e R$ 147 milhões em 2017”. Ele ainda destacou o impacto inflacionário: “Sem falar que R$ 147 milhões em 2017 era um valor completamente diferente de hoje por causa da inflação. Para ser mais exato, R$ 147 milhões naquela época equivalia a R$ 219 milhões hoje”.
Ao final, Nigro concluiu que, em termos reais, o desempenho da marca é significativamente inferior. “Então, em valores reais, a Havaianas está vendendo 35% menos”, afirmou.





