Uma mulher de 37 anos morreu após ser baleada por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) durante uma operação federal realizada nesta quarta-feira (7), na cidade de Minneapolis, no estado de Minnesota. O caso gerou forte repercussão e versões conflitantes entre autoridades locais e o governo federal.
Segundo o chefe da Polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, os policiais foram acionados para atender a uma ocorrência de disparos de arma de fogo. Ao chegarem ao local, encontraram a vítima dentro de um veículo, com um ferimento de bala na cabeça. A mulher não resistiu aos ferimentos.
De acordo com O’Hara, o carro da vítima estava obstruindo a via quando um agente do ICE se aproximou. Ainda segundo o relato policial, houve uma tentativa de fuga, seguida por um disparo efetuado pelo agente federal. Após o tiro, o veículo colidiu lateralmente na rua.
Uma senadora estadual afirmou que a mulher morta era cidadã americana, informação que amplia o debate em torno da atuação das autoridades migratórias no episódio.
Em nota oficial, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) apresentou uma versão distinta. O órgão alegou que agentes federais teriam sido alvo de uma tentativa de atropelamento por parte de “manifestantes violentos”. Segundo o comunicado, o agente do ICE disparou a arma em legítima defesa, alegando risco iminente à própria vida, à de seus colegas e à segurança pública. “O agente utilizou o treinamento recebido e salvou a si mesmo e aos demais”, afirmou o DHS.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento da abordagem dos agentes federais à mulher. Nos vídeos, é possível ver o veículo em movimento no instante em que o disparo é feito. Outros registros exibem moradores da região e testemunhas discutindo com os agentes e reagindo de forma exaltada após o ocorrido.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, contestou publicamente a versão apresentada pelo governo federal. Em entrevista coletiva, ele classificou a narrativa do DHS como “uma grande mentira” e afirmou ter assistido aos vídeos do incidente. Segundo Frey, as imagens não sustentariam a alegação de que os agentes estariam sob ataque iminente.
O caso também provocou reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se manifestou por meio das redes sociais. Na publicação, Trump afirmou que a mulher teria agido de maneira violenta durante a abordagem e acrescentou que um agente federal ficou ferido no episódio, sendo encaminhado a um hospital.

Protestos se espalham por cidades dos EUA
A morte da mulher durante a operação do ICE em Minneapolis provocou uma onda de protestos em diferentes cidades dos Estados Unidos nesta quarta-feira (7). Além de Minnesota, manifestações foram registradas em Miami, Nova Orleans e Nova York, ampliando a repercussão nacional do caso.
Em Minneapolis, autoridades locais informaram que os atos reuniram mais manifestantes do que os protestos realizados após a morte de George Floyd, em maio de 2020, também ocorrida na cidade. A mobilização chamou atenção pelo volume de participantes e pelo tom crítico em relação às políticas de imigração e à atuação de agentes federais.
Em Nova York, mais de 400 pessoas se concentraram em frente a um escritório regional do ICE. Os manifestantes entoaram palavras de ordem e exibiram cartazes com críticas diretas ao departamento, pedindo sua retirada do estado de Minnesota e comparando a atuação da agência a práticas de repressão política.






