Morreu aos 89 anos, na última quarta-feira (14), a modelo internacional e atriz Vera Barreto Leite Valdez. A morte foi comunicada pelo Teatro Oficina de São Paulo, instituição da qual ela fez parte e onde construiu uma trajetória marcante no teatro brasileiro. A causa do falecimento não foi divulgada.
Em publicação nas redes sociais, a companhia lamentou a perda com uma homenagem emocionada, acompanhada por imagens que relembram diferentes fases da vida da artista. “Hoje à tarde Vera partiu. VOA, VERA! ETERNA! Muito amor por essa maneca”, escreveu o Teatro Oficina.
A notícia comoveu artistas, admiradores e seguidores, que deixaram mensagens de despedida nos comentários. O ator Matheus Nachtergaele prestou condolências públicas. “Meus sentimentos profundos ao Teatro, aos familiares e amigos. Amo a Vera”, escreveu. Outros internautas destacaram a grandiosidade de sua trajetória artística e humana.
Trajetória internacional na moda
Considerada a primeira top model brasileira, Vera Maria Tereza Barreto Valdez nasceu em 27 de maio de 1936. Filha de diplomatas, passou parte da juventude fora do Brasil, estudando em Portugal e na França. Foi no cenário europeu que iniciou sua carreira na moda, tornando-se modelo do estilista Christian Dior e desfilando também para Coco Chanel.
Na França, Vera se destacou como um dos principais nomes da moda da época e chegou a se relacionar com o cineasta Ruy Guerra. De volta ao Brasil, passou a trabalhar com o estilista paraense Dener Pamplona de Abreu, um dos grandes nomes da alta-costura nacional nas décadas de 1960 e 1970.

Teatro, cinema e televisão
Além da carreira na moda, Vera construiu uma trajetória sólida nas artes cênicas. No teatro, tornou-se uma figura emblemática do Teatro Oficina, em São Paulo, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa. Engajada artisticamente, manteve forte ligação com o grupo e com nomes históricos do teatro brasileiro, como a dramaturga Cacilda Becker.
Em 2024, o Teatro Oficina prestou uma homenagem à artista quando ela completou 88 anos, no monólogo “Vozes Humanas”. No espetáculo, Vera interpretou uma mulher em meio a uma separação amorosa, performance que foi amplamente elogiada e marcou uma de suas últimas aparições nos palcos.
No cinema, trabalhou com diretores consagrados. Atuou em “As Cariocas” (1966), dirigido por Walter Hugo Khouri, e em “O Homem Nu” (1997), sob direção de Roberto Santos. Sua despedida das telonas ocorreu em 2023, quando participou dos filmes “A Alegria é a Prova dos Nove”, “Feira da Ladra” e “Tia Virgínia”.
Na televisão, teve uma participação marcante na minissérie “Som & Fúria”, exibida pela TV Globo em 2009. Em 2008, aos 72 anos, também chamou atenção ao posar para a revista Trip, celebrando a maturidade e a liberdade feminina.
Papel histórico na comunicação brasileira
Vera Barreto Leite Valdez também teve papel fundamental na história da televisão no país. Ela foi uma das fundadoras da TV Globo, criada oficialmente em 26 de abril de 1965, contribuindo para a consolidação de um dos maiores grupos de comunicação do Brasil.
Vida pessoal de Vera Barreto
Na vida pessoal, Vera foi casada com o ator Luís Linhares, com quem teve uma filha, Paula. Posteriormente, se relacionou com Pedro Moraes, jornalista e filho do poeta Vinicius de Moraes. Dessa união nasceu Mariana de Moraes, que seguiu carreira como atriz no cinema e na televisão.






