Foto: AFP/Reprodução
Um incêndio de grandes proporções atingiu um bar localizado na estação de esqui de Crans-Montana, nos Alpes Suíços, durante uma festa de Ano Novo na madrugada de quinta-feira (1º). A tragédia deixou mais de 40 mortos, ao menos 115 feridos — muitos em estado grave — e ainda havia dezenas de pessoas desaparecidas até esta sexta-feira (2), segundo autoridades locais.
Imagens gravadas por frequentadores do estabelecimento registraram os primeiros instantes do fogo. O vídeo mostra um foco de incêndio surgindo próximo ao teto do bar, enquanto clientes observam a situação e tentam conter as chamas de forma improvisada. Em uma das cenas, uma pessoa utiliza uma camisa para tentar abafar o fogo, que rapidamente se espalha pela estrutura do local.
De acordo com relatos de sobreviventes, o incêndio pode ter começado após o acendimento de uma vela do tipo sinalizador, supostamente utilizada como parte de uma comemoração dentro do bar. Testemunhas afirmam que uma funcionária teria acendido o artefato muito próximo ao teto de madeira, o que teria facilitado a propagação das chamas. A causa oficial do incêndio, no entanto, ainda não foi confirmada.
O fogo se alastrou com extrema rapidez, gerando pânico entre os presentes. Vídeos e depoimentos apontam cenas de caos, com pessoas tentando escapar pelas janelas, correndo pelas ruas com queimaduras graves e pedindo ajuda. O bar tinha capacidade para cerca de 300 pessoas em seu interior, além de espaço para aproximadamente 40 pessoas na varanda, e era bastante frequentado por turistas estrangeiros, especialmente jovens.
As autoridades suíças enfrentam dificuldades para identificar as vítimas devido ao estado dos corpos, o que pode atrasar a divulgação do número final de mortos. A polícia informou que o processo de identificação pode levar dias ou até semanas. Enquanto isso, familiares e amigos vivem momentos de angústia. “Estamos tentando encontrar nossos amigos. Publicamos fotos em todas as redes sociais possíveis, mas não tivemos nenhuma resposta”, relatou à AFP a jovem Eleonore, de 17 anos.

A Promotoria do cantão de Valais trabalha com a hipótese de incêndio acidental e, até o momento, descartou qualquer indício de ataque criminoso ou atentado. A investigação também irá apurar se o estabelecimento cumpria as normas de segurança, incluindo a quantidade exigida de saídas de emergência.
Entre as vítimas identificadas está o jovem golfista italiano Emanuele Galeppini, de 16 anos, que passava férias com a família na região. Segundo a imprensa italiana, ele estava no bar acompanhado de amigos, que conseguiram escapar e foram encaminhados a hospitais. A Federação Italiana de Golfe lamentou a morte do atleta em comunicado oficial.

Por se tratar de uma estação internacional, autoridades confirmaram a presença de vítimas estrangeiras. O governo da Itália informou que ao menos 16 mortos eram italianos. A França confirmou cidadãos feridos e desaparecidos. O governo brasileiro declarou não ter sido notificado sobre vítimas do país e lamentou o ocorrido por meio do Itamaraty.
O atendimento médico na região ficou sobrecarregado, e parte dos feridos precisou ser transferida para hospitais em outras cidades suíças, além da França e da Itália. A União Europeia informou que mantém contato com as autoridades locais para oferecer apoio médico e logístico.
Nesta sexta-feira, o local do incêndio permanecia isolado pela polícia. Flores, velas e mensagens de homenagem foram deixadas nas proximidades do bar. O presidente da Suíça, Guy Parmelin, classificou o episódio como uma das maiores tragédias já registradas no país e decretou luto oficial, com bandeiras a meio mastro por cinco dias.
“Por trás dos números existem vidas, famílias e histórias que foram interrompidas de forma brutal”, afirmou o presidente em pronunciamento. As investigações seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias do incêndio e as responsabilidades pelo ocorrido.





