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A indefinição sobre o futuro de Hulk no Atlético-MG chegou a um desfecho nesta semana. Após dias de negociações tensas e trocas de posicionamentos entre clube e jogador, o estafe do atacante comunicou oficialmente à diretoria alvinegra que ele não exercerá a cláusula de renovação automática prevista em contrato. Com isso, Hulk deixará o Atlético ao fim de dezembro deste ano, independentemente do cumprimento das metas estabelecidas no vínculo atual.
O camisa 7 havia se manifestado publicamente nas redes sociais afirmando que cumpriria seu contrato até o fim, mas, nos bastidores, seus representantes encerraram as conversas sobre permanência. A decisão ocorre após divergências em relação ao projeto apresentado pelo clube para o futuro do atacante, que não agradou ao jogador nem ao seu entorno.
O contrato renovado em fevereiro de 2024 prevê a possibilidade de extensão automática por mais um ano caso Hulk participe de pelo menos metade das partidas do Atlético em 2026. Essa cláusula, no entanto, foi descartada pelo estafe, que deixou claro que o jogador não pretende seguir no clube após o término do atual vínculo. A partir de julho, Hulk estará apto a assinar um pré-contrato com qualquer outra equipe.
O ponto central do impasse foi o modelo de proposta apresentado pela diretoria do Atlético. Segundo apuração, Hulk se incomodou com termos que, na sua avaliação, indicavam uma transição antecipada para um papel mais institucional e comercial do que esportivo. Entre os pontos discutidos estavam a produção de um documentário sobre sua trajetória no clube, a construção de uma estátua em sua homenagem e a possibilidade de adquirir uma pequena participação acionária na SAF do Atlético, equivalente a 2%.
A leitura do entorno do jogador é de que esse pacote soava como uma tentativa de “aposentadoria simbólica”, quando o desejo de Hulk ainda é seguir atuando em alto nível. Aos 39 anos, ele se vê em condições físicas e técnicas de continuar competitivo e buscava um projeto que reforçasse sua importância esportiva, e não apenas sua imagem histórica.
Paralelamente a isso, o Atlético foi informado do interesse do Fluminense na contratação do atacante. O clube mineiro, contudo, se apegou à multa rescisória de R$ 60 milhões e avisou que não liberaria o jogador antes do fim do contrato sem compensação financeira. A proposta do Fluminense, segundo pessoas próximas ao atleta, era mais atrativa do ponto de vista esportivo, embora inferior financeiramente, prevendo dois anos de contrato com bônus por metas esportivas e ações de marketing.
Na tarde de terça-feira, o diretor Paulo Bracks afirmou publicamente que o Atlético não tinha interesse em perder Hulk nem em conduzi-lo à aposentadoria. Horas depois, surgiram informações de que o atacante teria pedido uma rescisão amigável, o que foi confirmado pelo clube e negado pelos representantes do jogador.
Incomodado com a repercussão, Hulk se pronunciou nas redes sociais. Disse que não pediu rescisão, que cumprirá o contrato até o fim e que seguirá honrando o compromisso com o Atlético, mas também fez um desabafo ao afirmar que não se sentia valorizado esportivamente pelo clube.
Hulk deve se reapresentar normalmente na Cidade do Galo nesta quarta-feira. Ele não estará na estreia do Campeonato Mineiro, no domingo, contra o Betim, já que o técnico Jorge Sampaoli utilizará uma equipe alternativa formada majoritariamente por atletas da base. Os principais jogadores seguem em pré-temporada e só devem voltar a atuar no fim do mês, próximos ao início do Campeonato Brasileiro.




