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Mudança nas regras do Roblox gera protestos virtuais e crianças se revoltam com Felca

Reprodução/Instagram e X

A plataforma de jogos online Roblox alterou, na última quarta-feira (7), suas regras de comunicação, restringindo o uso do chat — especialmente o chat de voz — para crianças e adolescentes. A atualização, implementada de forma global, passou a exigir verificação de idade e limitou a interação entre usuários de faixas etárias semelhantes. A decisão provocou uma onda de protestos virtuais dentro do próprio ambiente do jogo e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.

Conhecida por seu público majoritariamente infantil, a Roblox tornou-se palco de manifestações organizadas por jogadores que utilizaram seus avatares para simular atos públicos em praças e ruas virtuais. Imagens das mobilizações, apelidadas de “Revolta do Roblox”, mostram personagens segurando cartazes com frases de protesto, referências culturais e mensagens irônicas. Entre elas, citações adaptadas da música Cálice, de Chico Buarque, personagens históricos representados como manifestantes e slogans que pedem o retorno das antigas funcionalidades de comunicação.

Influenciador vira alvo de ataques

No centro das críticas está o youtuber brasileiro Felca, que passou a ser tratado por parte dos jogadores como o principal responsável pelas mudanças. O influenciador ganhou notoriedade em 2025 após publicar um vídeo investigativo denunciando falhas na segurança da plataforma, como a exposição precoce de crianças a conteúdos impróprios, práticas de “adultização” e a existência de salas privadas com teor sexual, conhecidas como “condos”.

Para muitos usuários mais jovens, a proximidade temporal entre as denúncias e a atualização das regras levou à conclusão de que Felca teria pressionado a empresa a restringir o chat. Durante os protestos virtuais, o nome do influenciador apareceu em cartazes e mensagens hostis. Felca afirmou ter recebido ameaças diretas, incluindo frases como “eu vou te matar” e acusações de que ele não teria o direito de “proibir nada das crianças”.

O próprio influenciador reagiu à repercussão publicando prints e áudios das mensagens recebidas. Em tom irônico, afirmou que estava sendo “atacado por crianças na DM” e tratou a mobilização como barulhenta, porém inofensiva.

Reprodução/Instagram/@felca0
Reprodução/Instagram/@felca0
Reprodução/Instagram/@felca0
Reprodução/Instagram/@felca0

Protestos viram meme nas redes sociais

O movimento, que começou como uma tentativa de ativismo digital, acabou se transformando em meme. Capturas de tela circularam amplamente no X (antigo Twitter) e no TikTok, chamando atenção não apenas pelas reivindicações, mas também pelos erros de ortografia presentes nos cartazes virtuais. Frases como “Queremos justissa”, “Fora Felca infiliz” e “Devolve o xat” viralizaram e passaram a ser reproduzidas fora do contexto do jogo.

Parte do público questionou se as manifestações eram feitas exclusivamente por crianças, uma vez que a plataforma também é utilizada por adolescentes mais velhos e adultos.

O que mudou nas regras

Com a atualização, o Roblox passou a exigir verificação de idade por meio de reconhecimento facial e, em alguns casos, validação documental para liberar o uso do chat de voz. Crianças menores de 9 anos só podem utilizar a funcionalidade com autorização de responsáveis, enquanto usuários acima de 13 anos ficam restritos à comunicação com pessoas de idade próxima.

Segundo a empresa, a medida foi desenhada para impedir que menores de 16 anos mantenham contato direto com adultos desconhecidos. A Roblox afirma ainda que as imagens usadas na verificação facial são apagadas após a análise e que há possibilidade de contestação em caso de erro.

A companhia informou que as mudanças começaram a ser testadas em algumas regiões em dezembro de 2025 e foram implementadas globalmente em janeiro deste ano. As novas regras fazem parte de um pacote mais amplo de segurança, que inclui filtros automáticos, políticas mais rígidas e monitoramento contínuo das interações.

Pressão por mais segurança

A Roblox enfrenta crescente pressão internacional para reforçar a proteção de crianças e adolescentes. Em agosto, a empresa foi alvo de um processo no estado da Louisiana, nos Estados Unidos, acusada de permitir que predadores sexuais atuassem livremente na plataforma, facilitando o assédio e a exploração de menores.

A empresa nega negligência e sustenta que vem revisando constantemente seus sistemas de moderação e comunicação para acompanhar o crescimento da base de usuários.

Foto: Reprodução/X
Foto: Reprodução/X

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