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O ano mal começou e o São Paulo já se vê envolvido em um cenário de instabilidade dentro e fora de campo. Na estreia pelo Campeonato Paulista, neste domingo (11), o Tricolor foi derrotado por 3 a 0 pelo Mirassol, em um resultado que expôs dificuldades técnicas da equipe e ampliou a pressão sobre o clube, que atravessa também um momento político delicado.
Se dentro das quatro linhas o desempenho foi preocupante, fora delas a situação é ainda mais sensível. Neste domingo, o programa Fantástico, da TV Globo, exibiu uma reportagem sobre movimentações financeiras irregulares envolvendo o clube, com destaque para saques em dinheiro vivo que somam R$ 11 milhões, além de um depósito de R$ 1,5 milhão na conta pessoal do presidente Julio Casares. O caso vem sendo investigado e tem repercutido fortemente nos bastidores do Morumbi.
Na próxima sexta-feira (16), Julio Casares será submetido a uma votação no Conselho Deliberativo do clube, que decidirá se ele será afastado do cargo e se o pedido de impeachment terá andamento. A indefinição política tem paralisado decisões administrativas e impactado diretamente o ambiente do futebol.
Diante desse cenário, o técnico Hernán Crespo tem tentado blindar o elenco das turbulências externas. Em entrevistas recentes, o treinador deixou claro que a prioridade é preservar o grupo de jogadores e manter o foco no trabalho diário, ainda que reconheça a dificuldade dessa missão.
Dentro de campo, no entanto, a tentativa de separar futebol e política não tem surtido efeito prático imediato. Contra o Mirassol, o São Paulo teve uma atuação abaixo do esperado, com um time pouco intenso, desorganizado em alguns momentos e sem poder de reação. Crespo manteve a base tática utilizada na temporada passada, com três zagueiros, e não promoveu mudanças significativas na estrutura da equipe.
Além disso, o treinador não pôde contar com jogadores importantes, como Calleri e Enzo Díaz, o que limitou ainda mais as opções. Mesmo assim, segundo o próprio Crespo, o time que foi a campo representava o melhor que havia disponível no momento.
Após a partida, o técnico foi questionado sobre a influência da crise política no rendimento do time e foi direto ao falar sobre a necessidade de proteção ao elenco.
— Os atletas têm que estar blindados. É um problema que precisa ficar fora do campo. É difícil? Muito difícil. Mas é isso que temos que fazer. Nosso papel é proteger o grupo e trabalhar para sair de uma situação delicada — afirmou.
A instabilidade também tem afetado o planejamento do clube para a temporada. Negociações no mercado estão paralisadas até que a situação política seja definida, como no caso do interesse em Allan, do Flamengo, que está em compasso de espera.
O sentimento dentro do elenco é de que 2026 será um ano duro. Após a derrota, o atacante Luciano fez um apelo à torcida e pediu união para atravessar o momento difícil.
— A gente vai precisar muito do torcedor. Este ano vai ser ainda mais complicado do que o passado. Com eles ao nosso lado, somos mais fortes — declarou.
O São Paulo volta a campo na quinta-feira (15), às 21h45, quando enfrenta o São Bernardo, no Morumbis, em seu primeiro reencontro com a torcida nesta temporada.




